Posts Tagged ‘LPOD’
O Mare Humorum Parcialmente Sem Anel
Na imagem acima, um anel montanhoso da Bacia Humorum imediatamente salta a nossa vista e nos chama a atenção. Essa é a cadeia de montanhas que começa no lado oeste da cratera Gassendi (as montanhas informalmente conhecidas como Montanhas Percy) e vira ao redor da costa oeste do mar com algumas interrupções. Pelo fato da cena estar sendo iluminada pelo Sol do amanhecer, os picos massivos do anel são destacados pelo brilho. Ao longo da parte sudoeste da bacia, o anel se quebra em picos menores e desconectados que cobrem uma largura mais vasta do que a cadeia ao norte. Estranhamente, um círculo definido pelo anel oeste curva diretamente em direção à escarpa Kelvin. E então ele torna-se mais difícil de se traçar o anel da bacia, especialmente no lado leste, que tem mais lacunas do que pedaços contínuos. Pode-se pensar que o anel fraco a não existente na parte leste pode ser devido a sua elevação mais baixa, talvez o Humorum formou um interior não observado mergulhando para leste. Mas isso não é topograficamente verdadeiro. Será que isso é um impacto oblíquo, como o Crisium com o lado mais baixo muito mais baixo? Na verdade não existem evidências para que possamos certificar isso. Então, o que aconteceu com o anel perdido do Humorum?
Fonte:
Um Mapa Brilhante da Lua
Muitas oportunidades de se observar feições interessantes da Lua, são perdidas pois os astrônomos amadores olham para outros cantos do céu quando a fase da Lua está próxima da cheia. A imagem acima tenta desfazer esse mito, já que mostra um mosaico de resolução intermediária de toda a parte da Lua observável num dado momento e com o nosso satélite perto da fase cheia. Nessa imagem pode-se ver claramente a complexidade dos padrões de porções brilhantes e escuras e as várias tonalidades existentes entre elas. A parte em destaque na imagem acima mostra que claramente a superfície do Mare Imbrium possui duas tonalidades principais, uma tonalidade de cinza mais claro observado na metade leste e uma porção mais escura, muito bem definida cobrindo partes da região centro-oeste. A parte mais escura do mar é mais jovem e possui a melhor frente de fluxões lava preservada na Lua. O Mare Imbrium é mais sutilmente marcado por diferentes padrões de crateras de raios. Entre os raios visíveis pode-se citar os da cratera Copernicus (que está fora da imagem além da borda inferior), que são brilhantes, largos com terminações brilhantes ao norte. Os da cratera Aristarchus, são mais curtos, mais finos e mais acinzentados, enquanto que os da Aristilus são longos, finos e menos proeminentes, possivelmente pelo fato de atravessarem uma parte do mar com terreno mais brilhante. Vocês conseguiram notar que a cratera C. Herschel é uma cratera de halo escuro? A imagem acima, embora mostre detalhes impressionantes é chamada de resolução moderada pois foi feita com um telescópio de foco primário f/10 e tem 23 milhões de pixels, grande parte das imagens da Lua que observamos tem uma escala maior e mostram mais detalhes. O astrônomo responsável pela imagem acima está preparando um novo mosaico que deverá ser feito em f/16 e que terá 64 milhões de pixels, e que com certeza irá precisar de mais uma centena de AVIs. A única coleção completa de imagens telescópicas da Lua feitas em alta resolução e do mó Sol alto é a Part II do Consolidated Lunar Atlas (http://www.lpi.usra.edu/resources/cla/maps/part_ii/), e mesmo assim a resolução é quase que a mesma que apresentada por essa imagem em f/10. Em f/16, a Lua ainda espera ser mapeada.
Fonte:
Uma Luminosa Tonalidade de Cinza
Belas imagens da Lua podem ser encontradas por todos os lugares na internet, especialmente no site dedicado ao nosso satélite LPOD, do grande pesquisador Chuck Wood. A imagem acima é mais um desses tesouros. Na imagem é possível ver a Lua, com boa patê de seu disco iluminado pela Terra, um grupo de estrelas montando um simples padrão geométrico no céu e na parte direita da foto, o planeta Vênus bem brilhante, tudo isso preso num céu acinzentado. A imagem acima embora seja pouco comum ela é bem atrativa. Imagens espetaculares da Lua, nem sempre precisam ser feitas em detalhe e nem da órbita do nosso satélite. Muitas vezes vale muito mais uma bela combinação de objetos para nos mostrar a beleza dos nossos céus.
Fonte:
Cratera Copernicus É Observada Em Grande Detalhe
A equipe que trabalha com a câmera da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter tem trabalhado para fazer uma série de imagens de alta resolução que documentam a grande variedade de morfologias dos materiais derretido por impacto na Lua. Isso é muito importante, mas como pode ser visto na imagem acima, você não precisa de uma sonda para isso, desde que tenha um excelente equipamento e as condições ideais de observação como fica claro pela qualidade da imagem observada acima. O que mais chama a atenção na imagem acima são as línguas de material derretido por impacto fora do arco da cratera Copernicus desde as Fauth, as crateras gêmeas na parte inferior até a montanha na posição de 9 horas. Um pouco ao sul da montanha está uma impressionante língua de material derretido que constrói levees em seus flancos. Uma vez que esse clássico exemplo de material derretido por impacto é facilmente visível é mais fácil reconhecer os demais no arco em direção a Fauth. Os depósitos de material derretido por impacto são também vistos em vários locais dentro do anel e no topo dos terraços. E o quadrante suave a noroeste do interior da Copernicus é também coberto pelo material derretido por impacto. Ao longo da borda sul da imagem crateras secundárias e seus padrões característicos de se dobrarem ao redor do material ejetado podem ser vistos com clareza, enquanto a cadeia e o material ejetado contínuo pode ser visto ao longo da parte superior da imagem. Uma coisa é certa, se na década de 50 tivéssemos a capacidade de fazer imagens como essa, provavelmente os cientistas não haveriam decidido em enviar uma nave até a Lua.
Fonte:
Ondas Altas e Falhas Baixas no Mar dos Arco-Íris na Lua
Provavelmente as feições mais notadas quando a luz do Sol está baixa na região de Sinus Iridum na Lua sejam as cadeias de mares paralelos que parecem ondas vivas rolando para longe da costa. Certamente o mar foi fluido e fluiu mas acredita-se que as cadeias de mares se formaram depois que as lavas resfriaram tornaram-se sólidas, elas então congelaram as ondas. As únicas cadeias de mares que são bem explicadas são as circulares dentro das bacias de impacto. Essas têm ângulo baixo causados pela subducção do vão central da lava em volumes menores à medida que o movimento de subducção acontecia. Não é claro que essas cadeias de mares no Iridum se formaram da mesma maneira. A cadeia que passa pela cratera perto do topo do Iridum tem um terreno que é abruptamente 120 metros mais baixo do que o lado norte. A segunda cadeia à esquerda também tem um terreno mais baixo, mas somente uns 20 ou 30 metros para norte. Seriam essas falhas de cadeias associadas com o terreno mais baixo ao norte? Talvez com a adição de uma análise detalhada de topografia feita com a ferramenta Quick Map da sonda LRO um geólogo estrutural possa examinar as cadeias de mares que não fazem parte de bacias que entraram em subducção e então entender como elas se formaram.
Fonte:
Um Mapa Lunar Muito Detalhado Para Poucas Crateras na Lua
Um dos melhores e menos apreciados mapeadores da Lua foi Phillip Fauth (1867 – 1941). Em seus primeiros dias ele inaugurou o que chamamos hoje de moderna selenologia, que é focada nas medidas e análises dos diâmetros das crateras lunares, suas profundidades e inclinações. Ele começou uma abordagem quantitativa para os estudos da morfologia lunar e que depois de 60 anos sem ser considerado, finalmente foi considerado no período pós-Apollo. Existem basicamente três razões de porque Fauth foi ignorado. Primeiro, como é mostrado em seu livro de 1907 The Moon in Modern Astronomy, ele era nacionalista e prepotente. Em segundo lugar ele se tornou intimamente associado com Hörbiger, que acreditava que a Lua e outros mundos eram cobertos de gelo. Mas o principal motivo como pode ser observado na imagem acima era que sua cartografia lunar era muito complicada de ser interpretada. Lógico que a comparação acima é uma covardia, mas os pseudos contornos gerados no mapa a esquerda são confusos com subidas e descidas aparecendo longe das crateras. Para que se pudesse ter uma sensação real desses contornos seria necessário adicionar um certo sombreamento a eles. Um dos problemas desse mapa de contornos é se concentrar em detalhes de modo que a legibilidade e a interpretabilidade torna-se complicada. O grande mapa de Fauth não estava completo quando ele morreu e seu filho terminou o trabalho publicando uma bela edição em 1964. Fauth sempre lutou contra a fotografia ele acreditava que um olho bem treinado podia sempre ver mais. Mas em 1964 as famosas fotos do Monte Wilson e então as imagens das sondas demonstraram que os fazedores de mapas visuais nunca registrariam os detalhes que as imagens fotográficas registram e os seus mapas ficaram somente com o interesse histórico.
Fonte:
Um Campo de Domos na Lua
É impressionante como os astrônomos amadores conseguem hoje em dia fazer imagens espetaculares da Lua. Essas imagens além de muito bonitas podem nos ajudar a ver e entender a geologia e a estrutura do nosso satélite. A imagem acima é um belo exemplo disso e mostra um campo cheio de domos perto da cratera Hortensius e além disso mostra detalhes maravilhosos. Os seis domos Hortensius (o sexto está no terminador a esquerda de um inferior) mostram a variação morfológica dos clássicos domos. Alguns são arredondados, outros são achatados e o localizado na parte superior direita é amorfo e mesmo sem cavidade. Para a direita dos domos estão duas feições lineares que raramente são observadas. A primeira que podemos destacar é uma fissura reta ou uma ranhura que aparece elevada. Entre a fissura e a Hortensius existe uma feição lunar vulcânica um pouco incomum, uma linha de pequenas colinas. Essas feições tem somente 40 metros de altura, ilustrando como se consegue ampliar as sombras de feições baixas com uma iluminação adequada do ambiente, chegando até a identificação de feições com 20 a 30 metros de altura. A imagem acima ainda sugere coisas inéditas na Lua. Um arco fragmentário de colinas ao norte dos domos e curvando para leste e então quase chegando na Hortensius sugere que o campo de domos, fissuras e cones pode estar localizado dentro de uma antiga cratera com 68 km de largura. Talvez, as fraturas que se formaram sob a cratera durante esse impacto, o maior em uma área de domo, forneceu os dutos que puderam alcançar os magmas mais profundos. Mas se você olhar ao redor verá que outros domos grandes e pequenos e estranhas depressões sem anel estão fora da cratera, então o magma facilmente atingiu a superfície em uma grande área de vulcões de escudo.
Fonte:
Duas Ilhas e Duas Luas
Tudo bem que muita gente pode até estar cansada de ver fotos da tal superlua do último sábado, mas as imagens continuam pipocando por toda a internet e nós não podemos resistir. No caso mostrado acima podemos ver duas imagens que mostram logicamente similaridades, mas também diferenças marcantes. Ambas as fotos basicamente mostram uma estrutura terrestre cônica com uma esfera amarelada em segundo plano, mas as diferenças são extremas. A imagem da esquerda mostra a Lua nascendo sobre o vulcão de El Teide em Tenerife nas Ilhas Canárias. A imagem foi feita desde a ilha vizinha de La Palma a 85 km de distância. O interessante dessa foto é que ela mostra na mesma cena a Lua (um objeto astronômico) e um vulcão, um objeto de estudo geofísico, ou seja, duas de minhas paixões científicas. Na outra imagem, a da direita, pode-se ver a bela Lua nascendo sobre a velha cidade de Corfu. As nuvens que aparecem na frente do nosso satélite fazem com que ele assuma uma aparência igual ao planeta Júpiter, ou seja, apelando para um senso totalmente imaginário das pessoas, o que também é importante para a ciência e para a nossa vida em geral.
Fonte:
Uma Superlua Muito Bem Planejada
Como já disse aqui, a superlua desse último final de semana gerou milhares de imagens surpreendentes do nosso satélite natural. E como cada foto tem uma história, algumas foram escolhidas para uma melhor descrição, enquanto que outras serão incluídas numa bela galeria que está sendo preparada para ser publicada em breve.
A foto acima foi feita no dia 5 de Maio de 2012 e registra de forma espetacular a maior Lua Cheia do ano de 2012. A impressão da tal super Lua é ainda reforçada pelo fato da paisagem escolhida para esse registro e mais ainda pela presença das pessoas a frente da Lua na hora do registro. Mesmo se essa fosse a menor Lua Cheia do ano, ela ainda pareceria imensa graças às condições bem planejadas de registro da imagem que foram aqui aplicadas. Lógico que a parte técnica é um pouco mais complicada que isso, mas alguns desafios interessantes são descritos abaixo:
- A distância das ruínas precisou ser escolhida com cuidado. Na distância focal utilizada, 1200 mm, a distância mínima onde a Lua e as ruínas apareceriam ambas em foco seria de 1500 metros. A distância usada na foto acima foi de 1600 metros. Se o fotógrafo chegasse mais perto, o primeiro plano ou plano de fundo apareceriam fora de foco. Se o fotógrafo se posicionasse mais distante, as pessoas apareceriam muito pequenas e como resultado, a noção de escala muito bem registrada na imagem acima seria perdida.
- O momento da imagem também foi escolhido com precisão, tendo que ser durante o pôr-do-Sol. Se a foto fosse feita antes, o contraste entre o céu e a Lua não seria bom resultando numa Lua muito apagada. Poucos minutos depois do pôr-do-Sol, as ruínas de Súnion fecham, então se o fotógrafo esperasse muito não haveriam pessoas na paisagem. Como o fotógrafo em questão tem experiência no local, fazendo fotos desde 2008 ele pôde usar toda a experiência para isso, mas mesmo assim ele testemunhou que essa foi a vez que ele teve menos tempo para registrar a Lua e as ruínas em foco e no mesmo frame.
- O momento do disparo para o registro da foto também é uma ação que requer extrema precisão. Para se criar o efeito desejado de super Lua, o desejável é registrar a Lua no mesmo local onde estão as pessoas. Isso é conseguido, ou foi conseguido, com o estudo detalhado da área e com muitas fotos feitas usando a famosa metodologia da tentativa e erro.
- O fotógrafo queria mesmo usar uma grande distância focal para fazer essa imagem, então ele fez algo pouco comum. A foto foi feita usando um telescópio Dobsoniano de 8 polegadas. Esse é um telescópio potente para observações visuais primárias mas também pode aparentemente ser usado para a astrofotografia ou fotografia mesmo.
- A distância focal e a distância das ruínas não permitiu que ele registrasse toda a cena com um único disparo, então ele teve que empilhar e integrar 6 imagens do mesmo panorama registrado acima.
Bem, essa foi a bela história da superlua de 2012. O efeito obtido após todo esse planejamento realmente é espetacular. Que venha a próxima superlua.
Fonte:
O Símbolo do Ying-Yang É registrado na Cratera Tobias Meyer na Lua
Enquanto observava a cratera Tobias Mayer perto da Copernicus, o astrônomo amador Lambert viu a sombra cruzar o interior da Tobias Meyer apresentando um aspecto do símbolo do ying-yang. Esse é um padrão bem apropriado para uma cratera da Lua, a forma negra, ou ying aparece na parte de sombra da cratera e na tradição chinesa representa a parte escura e fria, já a parte branca yang, é brilhante, quente e representa características positivas. Certamente, a Lua com seus 14 dias de idade em seu ciclo tem uma noite fria e escura, mas essa parte não existe sem o período igual e oposto de iluminação e brilho. O equilíbrio é um requerimento da rotação da Lua, o contínuo movimento que alterna o frio e escuro e o quente e brilhante e que não é nada estático como é mostrado nas imagens que fazemos da Lua. Todas as crateras passam por isso e realmente registrar um padrão tão conhecido como esse é algo espetacular.
Fonte:
`






















